Marita Ferreira

 

 

 

 

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TERESA MAGALHÃES
"44 Pinturas (2003-2006)"
Galeria Valbom, Lisboa
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Red Hot Jazz
com Nazaré Carvalho e Rui Soares Esteves
Clube dos Jornalistas, Lisboa 2006

 

 

 

Dario Basso
ArtHobler (Porto)

Anuncie aqui as suas exposições:
cartaz das artes plásticas

 

Almas Expostas
com João Pedro Franco
Clube dos Jornalistas (Lisboa, 2004 )

Radio Girls
Sinatra, Estoril

 

Flor Branca Solta No Rio
Piccadilly Pub, Porto

António Murtadas
G. Filomena Soares (Lisboa)

 

 

 

Jazz in small Pieces
com Nazaré Carvalho
Small Café (lisboa)
Killing Rose
Ilga (Lisboa)

 

 

 

Cultura? Obviamente, demito-a...

 

Houve tempos em que os jornais e outras publicações se utilizavam para ensinar às nossas crianças o que era a língua portuguesa na sua versão oficial. Usavam-se também para as ilustrar sobre o que se passava no mundo, com a certeza absoluta de que todo o assunto publicado era escrupulosamente descrito segundo regras tidas como fiáveis e universais. Claro que à data até existia censura e nem tudo era o que parecia. Ao jornalista cabia, portanto, a industriosa tarefa de registar e descrever factos assinaláveis e merecedores da atenção do público. E mesmo quando o lápis azul traçava as fronteiras do «legível» e «aceitável», o dedicado escrevedor de notícias lá cumpria o seu dever, desviando-se com habilidade e zelo das armadilhas que lhe estendia o poder instituído.

Agora, os deuses nos livrem de folhear um jornal e ler alto, para instrução de jovens e crianças, que «o morto chegou já cadáver», entre outras descrições de inomináveis crimes, notícias de cópia e cola que os vigilantes olhos das novas gerações conhecem de cor e salteado das suas digressões pela Internet. Os deuses nos livrem também de tentar apontar a língua portuguesa lida em papel de jornal ou revista, ouvida nas frequências modeladas pelo País fora e aleatoriamente seguida nos ecrãs da televisão, como exemplo do Português correcto.

Não adianta explicar a ninguém, e muito menos aos «letrados jornalistas» de sorriso promovido por insuspeitas pastas dentríficas, que o verbo ter é sempre seguido de «de» e não de «que», que «à última da hora» se diz, de facto, «à última hora», e que o pôr do Sol não leva hífens (também popularmente conhecidos como «tracinhos»), da mesma forma que o nascer do dito astro não os contempla. De nada adianta tentar contrariar uma tendência que os média, na sua iluminada e imparável missão, perpetuam à exaustão, transformando as transgressões em regras.

A cultura, essa, obviamente, demite-se. O instinto suicida dos média vai ao ponto de substituir as páginas de notícias de cultura pelas versadas em temas dos próprios média, transformando jornais, revistas e rubricas inteiras em versões publicitárias dos seus próprios conteúdos, assumindo-se sem complexos e simultaneamente, como o objecto da notícia e veículo da mesma. Trocado tudo isto em miúdos, a comunicação social portuguesa é o antropófago que se devora a si próprio, sem consciência do enorme paradoxo que está a criar.

Neste contexto, não é legítimo esperar que as artes plásticas tenham o lugar que lhes compete na sua qualidade de manifestações culturais, a menos que uma qualquer Lili ou Pipi decida anunciar a sua deslocação a uma vernissage , substituindo assim o evento cultural pelo social.

É por essas e por outras que se espera aqui dar conta das exposições, experiências e tendências de todo o tipo que aconteçam e se preparem em solo luso e além fronteiras. Esperamos, que além da notícia das suas exposições, os artistas também aproveitem este espaço para anunciar os seus projectos, os seus conceitos e as suas opiniões. Sobre o seu trabalho e o dos outros. Não é justo nem de cariz cultural o isolamento que lhes é imposto por um mercado «forçado» entre um curto circuito de galerias comerciais frequentadas por meia dúzia de «entendidos» e as feiras internacionais, os leilões e os coleccionadores particulares, em divórcio permanente de um público do qual depende, afinal, para o reconhecimento e conhecimento da obra.

Marita Ferreira

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

© Marita Ferreira 2005 — info@maritaferreira.comWebmaster

Paula Rego
Litografias na 111 (Lisboa)
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